Existem muitos estudos para se compreender o comportamento antissocial de adolescentes, em minha prática profissional percebo que essas informações nem sempre chegam aos pais de maneira fácil e esclarecedora.
Sei como incomoda os pais quando seus filhos se opõem aos valores e faltam com respeito.
Ah! Como é agradável ver jovens responsáveis, respeitando regras, humanizados, longe de comportamentos de risco como o uso de drogas ou álcool, se espelhando em modelos de pessoas de sucesso, seja no esporte, na arte, nas ciências, enfim, o sonho de cada pai e mãe quando põe um filho no mundo.
Tudo começa na família!
A família é a primeira a apresentar os modelos de como devem ser os comportamentos e como interpretamos a vida que está a nossa frente.
Já vi muitos pais não compreenderem isso, principalmente quando os comportamentos das crianças são diferentes dos seus.
“a professora vive reclamando que ele é agressivo, bate nos outros…, mas lá em casa nós não batemos nele, somos calmos, tranquilos”
“em casa não gritamos nem falamos palavrão, com quem ele está aprendendo? Em casa que não é!”
A construção da identidade da criança, apesar de ser influenciada pela família e pela sociedade, é uma construção da própria criança.
Tomo como exemplo os blocos de montar: passe a tarefa para diferentes crianças montarem casas, com blocos, apesar das peças serem iguais, cada uma montará ao seu modo.
Do mesmo modo, nós pais, oferecemos nosso comportamento e nossas orientações tal como os blocos de montar, mas cada uma vai construindo sua identidade à sua maneira.
O que define essa diferença é a estrutura psicológica de cada um, a qual cria as condições em que elas irão ajustar nossa influência de pais a sua maneira.
Por isso que os filhos são diferentes uns dos outros, mesmo recebendo as mesmas condições de educação e os mesmos afetos.
O problema é muitas vezes estamos influenciando nossas crianças de uma forma “negativa” sem perceber. E isto terá um reflexo desagradável na adolescência.
Não restam dúvidas da importância do laço afetivo e a boa comunicação entre pais e filhos tem na família. A escassez afetiva é um fator de risco para o uso de drogas e para o comportamento.
A formação da identidade que se inicia na infância, tem seu ponto alto na adolescência. Todas as pessoas passam por isso.
Neste período os jovens se aproximam dos grupos com que se identificam, isso em termos afetivos e motivacionais.
É um momento em que eles precisam ser diferentes do que foram até agora para poder desenvolver sua identidade.
Nesta fase o jovem não consegue avaliar a rápida mudança pela qual está passando, principalmente em seus comportamentos e também na sua forma de pensar.
E isso interfere na formação de suas habilidades sociais.
Nessa fase é comum serem espontâneos, cheio de iniciativa, tudo visando à liberdade, a autonomia e a realização pessoal.
Porém, na maioria das vezes isso ocorre de maneira desordenada, e se apresentam de maneira extravagante e com uma auto-imagem diferente de todos. Eles precisam se livrar dos limites e controles, já que passam a viver e desejar novas experiências. para a formação de sua identidade.
De qualquer forma o jovem vai se identificar com algum grupo e gostaríamos que fosse com os grupos socialmente adaptados.
Sem dúvidas sofrerão pressão do grupo com o qual convive, e este grupo exigirá que assumam os comportamentos de regra e a maioria dos adolescentes o fará.
Isto ocorre para que consigam auto-afirmar as escolhas que tem feito para moldar sua identidade.
Cabe a nós oferecer elementos de identificação que se oponham ao que é socialmente inaceitável, como o abuso de drogas, comportamentos delinquentes e falta de ética.
Mas isso tem que ser feito desse a infância, não apenas na adolescência.
Na adolescência ocorre que o jovem está ampliando sua experiência afetiva. As regras e normas que nós estabelecemos são percebidas e interpretadas como agressivas e limitadoras de seu desenvolvimento.
Portanto devemos sempre respeitar suas necessidades de liberdade e crescimento.
Mas como?
Vou cair no discurso de que cada caso é um caso e blá, blá, blá… Afinal estamos falando de pessoas, com necessidades pessoais, com dificuldades pessoais, portanto devem ter tratamentos personalizados, não adianta seguirmos listas de dicas e conselhos genéricos, tudo isso é uma maneira paliativa para não enfrentarmos nossos problemas.
Mas uma coisa eu garanto, as condutas desviantes são um reflexo da falta de limites e rotinas saudáveis que vem desde a infância e, principalmente pelo pouco vinculo afetivo, que enfraquece as forças socializadoras. O afeto e a comunicação compartilhada desde a infância, e fortalecida durante anos, favorece estabilidade e influencia o jovem de modo efetivo.
Por Júlio Bernabé – Psicólogo


Esclarecedor e inspirador nesse desafio que é a adolescência! Adorei meu parceiro!
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Que bom… a inspiração sempre virá quando tivermos nosso coração aberto.
Grato.
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Tenho filhos adolescentes, é uma fase delicada demais! As vezes, fico sem saber o que fazer… e me pergunto eu pensava nessa idade? Aí, descubro que somos totalmente diferentes… filhos, pais e mundo. Excelente post. Obrigada!
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Patrícia, fico grato por seu comentário. De fato os modelos de mundo são diferentes, criança pensa com cabeça de criança e pais com cabeça de pais. As diferenças diminuem com a proximidade dos afetos, essa é a comunicação mais efetiva e que rompe qualquer barreira.
Grato!
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Simplesmente apaixonada pelo deu blog! É maravilhoso perceber que existem profissionais de qualidade dispostos a oferecer excelentes informações sobre uma fase tão complicada da vida, abraços e continue a postar!
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Grato pelo seu comentário. Tenho a certeza de que todo conhecimento deve ser compartilhado…
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Parabéns pelo texto Julio! Ótima iniciativa de auxiliar as pessoas, através dessa ferramenta, e também dar a oportunidade de compartilhar conhecimentos…
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Obrigado pelo seu comentário Natália… conhecimento é para ser compartilhado, só assim teremos uma humanidade mais humana.
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Pera aí, doutor! Você falou de adolescentes que se socializam demais com grupos pouco funcionais (viciados e agressivos), mas como lidar com um realmente anti-social do tipo que não se expõe sequer fora do quarto? Daqueles que não têm amigos e pouco interagem com a família e também não usam psicotrópicos ou punhos?
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Ismália, obrigado pelo seu questionamento, pois um dos meus objetivos com os textos não é encerrar um assunto, mas abrir uma discussão. O comportamento que você está falando não lidamos como se fosse algo anti-social, mas sim como isolamento.
O Isolamento é um comportamento que vemos bastante na adolescência e pode ter origens que precisam ser investigadas, que podem ir desde uma forma de diferenciação, na qual o jovem busca se distanciar do ambiente familiar e social, até algo mais grave como uma depressão típica.
Se tiver mais dúvidas fique a vontade para perguntar:
meu e-mail jcsbernabe@hotmail.com
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Certo, entendi a diferença. Obrigada pelo esclarecimento!
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